Neste blogue discutiremos 4 temas: 1. A linguagem enganosa. 2 As estruturas e os processos de desumanização criados pelas oligocracias contra a democracia. 3. A economia política (e.g. Petty, Smith, Ricardo, Sismondi), remodelada e crismada (no fim do século XIX) de "economia matemática", a qual teria o direito de se proclamar "ciência económica" (Ingl. economics) — um direito que não lhe será reconhecido aqui. 4. A literatura imaginativa (prosa e poesia).

27 fevereiro, 2026

 

Uma Guerra por Escolha da OTAN –

A Sabotagem das Negociações de Istambul

                                          

Glenn Diesen

(In Glenn Diesen’s Substack, 24/02/2026,

tradução de Fernando Oliveira, edição de J.C.S.)

 

Glenn Diesen é professor de geoeconomia política na Universitetet
i Sørøst-Norge
 [Universidade de Sudeste-Noruega].
Foto: Instagram


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O professor Glenn Diesen descreve neste texto (e no vídeo de onde ele foi extraído) algumas das provas de como os EUA e o Reino Unido sabotaram as negociações de paz em Istambul para usar a Ucrânia como instrumento para enfraquecer a Rússia. Depois de a OTAN (/NATO) ter construído um grande exército ucraniano para enfraquecer um rival estratégico, era absurdo supor que a Ucrânia teria permissão para restaurar sua neutralidade e fazer as pazes com a Rússia (F. Oliveira).

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Em 24 de Fevereiro de 2022, a Rússia invadiu a Ucrânia.

Ou seja, sete anos depois de os Acordos de Minsk terem sido sabotados, a Rússia decidiu-se pela invasão e por impor a neutralidade pela força.

Neste vídeo, procurarei apresentar as provas de como, principalmente, os Estados Unidos e o Reino Unido sabotaram as negociações subsequentes em Istambul, em Abril de 2022, com o objectivo de criar uma guerra prolongada na qual pudessem usar os ucranianos para lutar e enfraquecer a Rússia enquanto rival estratégico.

Tenho plena consciência de que este argumento é considerado controverso, mas também devemos questionar por que razão o é. A questão é que os Estados Unidos possuem uma estratégia hegemónica na qual a sua segurança se baseia na ideia de domínio perpétuo. A expansão da OTAN [NATO no acrónimo em inglês normalmente utilizada. Nota do T.] é, em grande medida, um instrumento para atingir esse objectivo e, para manter a hegemonia, os EUA procuram enfraquecer centros de poder rivais, sendo a Rússia um deles.

Então, por que é tão difícil, diria mesmo controverso, argumentar que a estratégia dos EUA visa preservar a primazia global em vez de se limitarem a ser uma potência com armas nucleares que apenas procurar defender a democracia e a liberdade de outros povos?

É possível que esteja errado quanto à intenção da OTAN de lutar até o último ucraniano, mas vamos abordar pelo menos as provas de sabotagem do Acordo de Istambul, algo que não é permitido nos meios de comunicação social, porque corta a narrativa da guerra. E repito, estas provas não podem ser refutadas, não fazem parte do debate público.

Quero deixar bem claro o propósito deste vídeo [Glenn Diesen: A Guerra de Escolha da OTAN - A Sabotagem das Negociações de Istambul]: não se trata de uma declaração de apoio à invasão, uma tentativa de a legitimar ou sequer de sugerir que a Ucrânia não tem o direito de se defender. O objectivo deste vídeo é simplesmente sustentar o argumento de que há provas irrefutáveis de que os Estados Unidos e o Reino Unido sabotaram as negociações em Istambul para utilizarem os ucranianos como força indireta contra a Rússia.

Agora, é importante entender porque é que temos uma guerra, porque é que ela não terminou há quatro anos e o que é necessário para realmente a terminar.

Então, o que é que aconteceu antes das negociações em Istambul?

Vamos começar pelo princípio, ou seja, pelo dia seguinte ao da invasão da Ucrânia pelos russos, 25 de Fevereiro de 2022.

 

https://www.president.gov.ua/en/news/zvernennya-prezidenta-do-ukrayinciv-naprikinci-pershogo-dnya-73149


O presidente Zelensky já havia confirmado, “Hoje ouvimos Moscovo dizer que ainda querem conversar. Querem conversar sobre o estatuto de neutralidade da Ucrânia. (...) Não temos medo de falar sobre o estatuto de neutralidade.

No dia seguinte, ou seja, o segundo dia após a invasão, 26 de Fevereiro de 2022, Zelensky reafirmou a sua disposição para negociar a neutralidade da Ucrânia. E disse: “Se as negociações forem possíveis, devem realizar-se. Se Moscovo disser que quer negociar sobre tudo, inclusive sobre o estatuto de neutralidade, não temos medo. Podemos conversar sobre isso também.”[1]

No dia seguinte, 27 de Fevereiro, ou seja, no terceiro dia após a invasão, Moscovo e Kiev anunciaram que realizariam negociações de paz. Sem pré-condições.


https://nypost.com/2022/02/27/ukraine-and-russia-to-meet-for-peace-talks-without-preconditions-zelensky-says/


Tudo indicava então que seria uma guerra extremamente curta.

E aqui é que bate o meu ponto. Se minha tese estiver correcta, de que o objectivo é usar a Ucrânia como um instrumento para enfraquecer um rival estratégico, não se quer acabar com a guerra e restaurar a neutralidade da Ucrânia depois de anos a construir um grande exército para enfraquecer um rival estratégico.

Vejamos, então, o que aconteceu durante esses dias do lado da OTAN.

Bem, em 25 de Fevereiro de 2022, um dia após a invasão russa, depois de Zelensky ter concordado em discutir a neutralidade, o porta-voz dos EUA, Ned Price, anunciou que Washington rejeitava negociações de paz sem pré-condições, insistindo que os EUA só aceitariam a diplomacia depois de a Rússia se retirar da Ucrânia. Nas palavras de Ned Price, «Vemos agora que Moscovo sugere dar lugar à diplomacia sob a mira das armas


https://2021-2025.state.gov/briefings/department-press-briefing-february-25-2022/
 

E continua: «Se o presidente Putin leva a diplomacia a sério, ele sabe o que pode fazer. Deve interromper imediatamente os bombardeamentos contra civis, ordenar a retirada das suas forças da Ucrânia e indicar de forma muito clara e inequívoca ao mundo que Moscovo está preparada para reduzir a tensão».


https://www.telegraph.co.uk/world-news/2022/02/26/ukrainians-fighting-freedom-britain-everything-help/


Lemos no dia 26 de Fevereiro, o segundo dia após a invasão, as palavras do Ministro das Forças Armadas do Reino Unido, James Heappey, no Daily Telegraph, e repito no segundo dia, sobre Putin: «O fracasso [de Putin] tem de ser total. A soberania ucraniana tem de ser restaurada e é preciso capacitar o povo russo para ver o quão pouco ele [Putin] se preocupa com os seus concidadãos. Temos de lhes mostrar que os dias de Putin como presidente estão certamente contados, assim como os da elite cleptocrática que o rodeia. Ele [Putin] perderá o poder e não poderá escolher seu sucessor

Assim, já no segundo dia, percebemos que o objectivo da guerra se transformara numa mudança de regime.

No dia 27 de Fevereiro, o terceiro dia da invasão, o mesmo dia em que a Rússia e a Ucrânia anunciaram que realizariam negociações de paz, a UE aprovou um pacote de 450 milhões de euros em ajuda militar, o que contribuiria também para reduzir os incentivos para negociar com Moscovo.


https://www.bloomberg.com/news/articles/2022-02-27/eu-approves-450-million-euros-in-lethal-military-aid-for-ukraine


No dia seguinte, 28 de Fevereiro, o porta-voz do primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, declarou: «As medidas que estamos a introduzir, e que grande parte do mundo está a introduzir, visam derrubar o regime de Putin», reforçando assim o argumento de que se tratava de uma mudança de regime.


https://www.theguardian.com/politics/live/2022/feb/28/uk-politics-live-ukraine-visa-rules-refugees-ben-wallace-tom-tugendhat-latest?filterKeyEvents=true&page=with%3Ablock-621ce5be8f08f0ccfaeb0cb1


Em Março de 2022, quando as negociações entre ucranianos e russos estavam prestes a começar, o porta-voz dos EUA, Ned Price, foi questionado sobre se os EUA apoiariam um acordo negociado, como proposto por Zelensky. Price respondeu:

«Esta é uma guerra que, em muitos aspectos, é maior do que a Rússia, é maior do que a Ucrânia. O que está em jogo são princípios que é preciso preservar.»

E prosseguiu, sugerindo que a questão tinha mais a ver com a ordem mundial e as regras que os Estados Unidos da América pretendiam defender.


https://2021-2025.state.gov/briefings/department-press-briefing-march-21-2022/


Ou seja, mais uma vez, o objectivo principal não era pôr fim à guerra na Ucrânia na mesa de negociações.


https://www.newsweek.com/us-wants-russia-weakened-so-that-it-can-never-invade-again-1700570

 

O Secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, avançou igualmente o objectivo dos EUA na guerra da Ucrânia como sendo o de enfraquecer um rival estratégico, afirmando:

«Queremos ver a Rússia enfraquecida a tal ponto que ela não consiga repetir as acções que realizou na invasão da Ucrânia. Portanto, ela [a Rússia] já perdeu muita capacidade militar. E francamente, muitas das suas tropas. E queremos que ela não tenha a capacidade de reproduzir essa capacidade tão cedo

Surgiu ainda uma declaração mais directa de Leon Panetta, ex-director da CIA, que argumentou também em Março de 2022:

«Estamos envolvidos num conflito. É uma guerra por procuração com a Rússia, quer o assumamos ou não. A maneira de obter vantagem é, francamente, avançar e matar russos

No entanto, na comunicação social, a narrativa continuava a ser de que tudo dizia respeito à democracia e à soberania ucranianas.

No entanto, surgiram mais provs no dia 22 de Março de 2022, quando Neil Ferguson na Bloomberg, citando fontes dos governos dos EUA e do Reino Unido, relatou que a preferência agora era por “prolongar o conflito e, assim, desgastar Putin, já que o único objectivo final é acabar com o regime de Putin».

 

https://www.bloomberg.com/opinion/articles/2022-03-22/niall-ferguson-putin-and-biden-misunderstand-history-in-ukraine-war


Ou seja, vemos repetidamente, vindas de vários países ocidentais, especialmente dos EUA e do Reino Unido, declarações de que esta é uma oportunidade para promover uma mudança de regime em Moscovo. Então, por que havemos de ter tanta pressa em acabar com a guerra?


https://www.economist.com/europe/volodymyr-zelensky-on-why-ukraine-must-defeat-putin/21808448


Mas para que tudo fique bem claro, temos nada mais menos do que o Presidente Zelensky, em entrevista à revista The Economist, no dia 27 de Março de 2022. Nessa entrevista, ele afirma.

«Todos têm interesses variados. Há quem, no Ocidente, não se importe com uma guerra longa porque isso significaria exaurir a Rússia, mesmo que tal signifique a destruição da Ucrânia e custe vidas ucranianas. Há certamente interesse de alguns países [em que isso aconteça].»

No entanto, russos e ucranianos encontraram-se em Istambul [de 29 de Março a 5 de Abril de 2022]  para negociar o fim da guerra.

Registaram-se grandes progressos, e as partes estiveram até perto de um acordo. No entanto, tudo foi sabotado pelos EUA e pelo Reino Unido, em grande parte por Boris Johnson, que foi a Kiev e declarou aos ucranianos exactamente o que os EUA e o Reino Unido não fariam: apoiar qualquer acordo de paz a curto prazo.


https://www.pravda.com.ua/eng/articles/2022/05/05/7344096/
 

Segundo os meios de comunicação ucranianos, Boris Johnson foi a Kiev e transmitiu a seguinte mensagem, conforme se pode ler no jornal Ukrainian Pravda: “Primeiro, Putin é um criminoso de guerra. Não se pode negociar com ele, é preciso pressioná-lo. Segundo, mesmo que a Ucrânia esteja disposta a assinar um acordo de garantias com Putin, eles [o Reino Unido e os EUA] não estão dispostos a tal .


https://www.politico.eu/article/boris-johnson-warns-against-bad-peace-ukraine/


É claro que há quem possa questionar se tudo isto realmente aconteceu, até que ponto Boris Johnson queria realmente manter a guerra. Bem, podemos analisar os comentários do próprio Boris Johnson. A título de exemplo, em Junho de 2022, proferiu a seguinte declaração num discurso: «Não é hora de fazer concessões e encorajar os ucranianos a aceitarem uma má paz

Em vez disso, Boris Johnson defendeu o que chamou de «resistência estratégica», uma expressão no mínimo curiosa para designar uma guerra prolongada.

Da mesma forma, em Dezembro de 2022, Boris Johnson publicou um artigo de opinião no The Wall Street Journal argumentando contra quaisquer negociações. Escreveu aí: «A guerra na Ucrânia só pode terminar com a derrota de Vladimir Putin


https://www.wsj.com/articles/for-a-quick-end-to-the-war-step-up-aid-to-ukraine-weapons-aerial-vehicles-february-boundaries-missiles-11670591008


Mais tarde, o chefe do [grupo parlamentar do] partido político de Zelensky e chefe da delegação da Ucrânia em Istambul, David Arakamya, afirmou em entrevista que as negociações visavam principalmente restaurar a neutralidade da Ucrânia.

 

https://www.kyivpost.com/post/24645
 


E afirmou ainda que «Boris Johnson veio a Kiev e disse que não assinaríamos nada com eles e que iríamos directamente para a guerra

Eis, portanto, a contribuição de Boris Johnson.

No entanto, houve mesmo negociações em 2022. A Turquia funcionou como mediadora em Istambul, e o ex-primeiro-ministro israelita Naftali Bennett desempenhou um papel de apoio.

Vamos então ver como é que estes avaliaram as negociações.

O primeiro-ministro de Israel, Naftali Bennett, argumentou que a Rússia queria acabar com a expansão da OTAN e estava disposta a fazer «grandes concessões para atingir esse objectivo». E acrescentou que Zelensky havia aceitado os termos da neutralidade.

 

https://mronline.org/2023/02/07/former-israeli-pm-bennett-says-us-blocked-his-attempts-at-a-russia-ukraine-peace-deal/#


Assim, nas palavras de Bennett, «ambos as partes desejavam muito um cessar-fogo». No entanto, Bennett prossegue explicando que o Ocidente bloqueou o acordo de paz porque houve «uma decisão do Ocidente de continuar a atacar Putin».

Ou seja, esta era a ideia geral!

O Ocidente treinou centenas de milhares de ucranianos, armou-os e agora tinha a oportunidade de utilizar estes ucranianos para enfraquecer a Rússia, um rival estratégico. Por que os EUA e o Reino Unido haveriam então de concordar com qualquer acordo de paz em que a Ucrânia se tornasse neutra? Repito, não se trata de uma tese conspirativa, nem sequer faz sentido alegar  tal coisa.

Mas também podemos analisar o lado turco. Como é que os negociadores turcos viram o que aconteceu em Istambul?


https://mronline.org/2023/02/07/former-israeli-pm-bennett-says-us-blocked-his-attempts-at-a-russia-ukraine-peace-deal/#
 

Bem, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia disse o seguinte: «Após as conversações em Istambul, não imaginávamos que a guerra fosse durar tanto tempo. Mas, após a reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da OTAN, tive a impressão de que há quem, dentro dos Estados-membros da OTAN, queira que a guerra continue, que a Rússia enfraqueça. A situação da Ucrânia não é coisa que os preocupe muito.»

Essas foram as palavras do ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia.

Mas podemos também saber o que disse o vice-presidente do partido político de Erdogan, que confirmou que Zelensky estava pronto para assinar o acordo de paz antes da intervenção dos EUA e do Reino Unido. Nas suas palavras:

«Esta guerra não é entre a Rússia e a Ucrânia. É uma guerra entre a Rússia e o Ocidente. Ao apoiar a Ucrânia, os Estados Unidos e alguns países da Europa estão a iniciar um processo de prolongamento desta guerra. O que queremos é o fim desta guerra. Alguém está a tentar impedir que acabe. Os EUA veem o prolongamento da guerra como algo do seu interesse


https://www.foreignaffairs.com/ukraine/talks-could-have-ended-war-ukraine#


Podemos também olhar para o lado ucraniano, onde o embaixador ucraniano que participou nas negociações [Oleksandr Chalyi (ou Aleksandr Chaly)] disse posteriormente: «Estivemos muito perto de acabar com a guerra através de um acordo pacífico». E prossegue dizendo que Putin tentou fazer todo o possível para concluir um acordo com a Ucrânia e, em seguida, afirma que eles cederam e encontraram «um compromisso muito concreto».

Ouvimos também comentários semelhantes de outras pessoas, como o general alemão, reformado, Harald Kujat, antigo chefe das Forças Armadas Alemãs e também presidente do comité militar da OTAN, o cargo militar mais alto dest organização. Kujat confirmou não apenas que a OTAN ajudou a provocar esta guerra, mas também que Johnson, Boris Johnson, sabotou as negociações de paz para travar uma guerra por procuração contra a Rússia, ou seja, enfraquecer a Rússia utilizando os ucranianos. (Nota do T.: essa declaração pode ser vista aqui)

E, sucessivamente, vários dirigentes americanos vieram a público elogiar a brilhante estratégia nacional de utilizar os ucranianos para enfraquecer a Rússia, o que permitiria aos Estados Unidos concentrarem-se no confronto com a China.

O general americano Keith Kellogg argumentou, em Março de 2023 que «Se conseguirmos derrotar um adversário estratégico sem utilizar tropas americanas, estamos no auge do profissionalismo».

Depois [o senador] Mitt Romney, que defendeu que enviar armas para a Ucrânia foi «o melhor investimento em defesa nacional que já fizemos». E porque é que ele o disse? Bom, porque a despesa foi relativamente reduzida e não estão a perder vidas na Ucrânia.


https://en.mehrnews.com/news/205254/US-senator-cheers-hurting-Russia-at-cost-of-Ukrainian-lives


Ouvimos comentários semelhantes de [o senador] Mitch McConnell. No entanto, este argumentou que os EUA não deveriam deixar-se levar pelo idealismo ao afirmar que «As razões mais básicas para continuar a ajudar a Ucrânia a degradar e derrotar os invasores russos são os interesses práticos e concretos dos Estados Unidos. /.../ Todos sabemos que a luta da Ucrânia para recupera o seu território não é o começo nem o fim da competição estratégica mais alargada do Ocidente com a Rússia de Putin.»


https://www.republicanleader.senate.gov/newsroom/remarks/mcconnell-on-zelenskyy-visit-helping-ukraine-directly-serves-core-american-interests
 


Também o senador Richard Blumenthal se pronunciou dizendo que «estamos a obter o retorno do nosso investimento na Ucrânia», porque «com menos de 3% do orçamento militar do nosso país, permitimos que a Ucrânia reduzisse a metade a força militar da Rússia».


https://news.antiwar.com/2023/08/30/sen-blumenthal-us-getting-its-moneys-worth-in-ukraine-because-americans-arent-dying/
 


Por último, temos ainda [o senador] Lindsey Graham, que argumentou: «Gosto do caminho estrutural que estamos a seguir. Enquanto ajudarmos a Ucrânia com as armas de que precisam e com o apoio económico, eles lutarão até o último homem».


https://responsiblestatecraft.org/ukraine-war/
 


Em 2024, tornou-se evidente que a OTAN não conseguia utilizar a Ucrânia para desgastar a Rússia e que, de facto, a vitória se inclinava para o lado dos russos. Nesse momento, Boris Johnson declarou o seguinte: «Se a Ucrânia cair, será uma catástrofe para o Ocidente. Será o fim da hegemonia ocidental


https://geopoliticaleconomy.com/2024/04/24/ukraine-loses-war-end-western-hegemony-boris-johnson/


No entanto, também sabemos que, em todas as guerras, os europeus argumentaram que a diplomacia é a ferramenta mais importante para pôr fim a um conflito ou para solucionar qualquer conflito que não tenha sido travado pelos europeus.

Desta vez, porém, os europeus boicotaram a diplomacia durante quatro anos e, em vez disso, o secretário-geral da OTAN proclamou que as armas são o caminho para a paz.

Como podemos então explicar essa mudança quando era evidente que os russos queriam um acordo?

O que é que podemos esperar que aconteça se desencadearmos uma guerra que o adversário, neste caso a Rússia, considera ser uma ameaça existencial, o que significa que os russos não vão recuar e não podem recuar? Suspendemos toda a diplomacia que visa encontrar uma solução pacífica e afirmamos que a única maneira de acabar com a guerra é enviar armas e mais ucranianos para a linha de frente.

Isto não é uma receita para a paz. É uma receita para uma guerra por procuração, na qual colocamos os ucranianos a combater por nós.

Portanto, reconhecendo a sabotagem das negociações paralisadas, é importante procurar alcançar a paz porque os nossos governos e os seus porta-vozes na comunicação social partem sempre da mesma premissa. Continuam a argumentar que temos de estar ao lado da Ucrânia, que temos de apoiar a Ucrânia, com o que estou plenamente de acordo. Devemos apoiar a Ucrânia. Mas a forma como apoiamos a Ucrânia significa saber como alcançar o melhor acordo possível para a Ucrânia.

Há quatro anos, isso teria acontecido em Istambul.

É claro que sete anos antes poderíamos ter de facto implementado os acordos de Minsk em vez de os torpedear.

Mas o que é que fazemos hoje, quatro anos após o início desta invasão?

Agora, temos de procurar chegar ao melhor acordo possível.

Para que apoiar a Ucrânia não signifique andar à caça de ucranianos, arrancá-los de suas casas e enviá-los para a linha de frente para lutarem até o último homem, na esperança de enfraquecer a Rússia como rival estratégico da OTAN. Cada dia que passa desta guerra significa que os ucranianos perdem mais homens, mais infraestrutura ou mais território. Vamos então continuar a fingindo que o objectivo desta guerra tem sido ajudar a Ucrânia quando as provas mostram, de forma esmagadora, que o objectivo é utilizar os ucranianos para enfraquecer a Rússia?


https://kyivindependent.com/us-officials-accuse-europe-of-prolonging-russias-war-in-ukraine-axios-reports/

 

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